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terça-feira, 10 de março de 2009

Cristal da Semana - Ágata Verde

Com um dia de atraso, cá temos o cristal da semana. Desta vez escolhi uma ágata verde e, para variar, não fiz um pendente mas sim um "penduricalho OM" - uma boa peça para colocar no automóvel ou em qualquer outro lado onde precisemos de manter a serenidade.


As ágatas sempre despertaram o interesse das pessoas, especialmente por existirem em tantas cores e variedades. Elas têm sido trabalhadas desde a Antiguidade, usadas em joalharia, em curas e como talismãs. É uma pedra do grupo dos quartzos, pelo que detém muitas das propriedades destes, bem como outras, dependendo da sua coloração. No entanto, todas elas estão associadas à felicidade e à fortuna.

A ágata verde relaciona-se com o chakra cardíaco, inspirando serenidade e compaixão. Como todas as ágatas, ela contém luz* que dissipa as negatividades exteriores e ilumina o Ser interior. É uma excelente pedra para meditação.

Em cristaloterapia, esta pedra é usada para:

- aliviar inflamações e outros problemas nas articulações
- tratar distúrbios do sistema digestivo, especialmente dos intestinos
- tratar problemas de sangue e circulação
- limpar o sistema linfático

Ao nível psicológico:

- actua contra as depressões
- combate problemas de auto-estima
- melhora a flexibilidade mental e emocional, ajudando na resolução de conflitos
- harmoniza os sentimentos, inspirando calma e bem-estar

Em Magia:

- serve como talismã que protege mãe e filho durante a gravidez
- protege também a casa e o lar
- são usadas para atrair o amor

É ainda uma pedra atribuída a Mercúrio, pelo que é útil em todos os trabalhos feitos sob a sua influência. Ao estudá-la encontrei referências a que está associada a várias profissões, nomeadamente:

- dentistas
- educadores
- motoristas
- policias
- telefonistas
- vendedores
- construtores e operários de construção

Não deixa de ser uma lista curiosa :)...

* A "luz" das ágatas constitui uma das formas de verificar a autenticidade de uma pedra. Para tal, basta observar as pedras semi-transparentes contra a luz (não funciona com as opacas). No seu interior estará um brilho dourado-alaranjado.

Penduricalho OM executado em feltro com aplicação de contas de vidro e ágata verde - 8,00 E

quarta-feira, 4 de março de 2009

Considerações acerca do Respeito pela Vida

Este será, provavelmente, o post mais longo da história do Lemniscata. Não gosto de textos maçudos mas, neste caso, o tema surgiu pela pertinência da afirmação que a minha cara leitora Pandolet fez na caixa de comentários:

"PS: se respeitas a vida e as energias dos objectos, não devias incentivar ao uso de coisas em pele ;)"

Realmente, este é um tema com muitas implicações e, se por um lado, já tenho evitado discussões sobre vegetarianismo (porque quase sempre descambam numa guerra campal, muito à moda dos Homo sapiens), por outro lado acho que esta é uma excelente oportunidade para partilhar o que penso sobre o assunto e, talvez, trazer a lume algumas considerações que muitas vezes passam ao lado.

Antes de mais, começo por esclarecer que não sou vegetariana - já fui mas deixei de ser. Como e porquê? Vou tentar explicar...

Há uns anos deixei de comer animais porque achei que, pelo facto de ter inteligência suficiente para sobreviver sem ter de os sacrificar, estaria numa posição de obrigação moral em tornar-me vegetariana. Mais tarde não pude deixar de admitir que também as plantas são seres vivos e Herdeiras da Terra, tal como os animais. Aliás, que as plantas também estão vivas é o eterno argumento dos "comedores de carne" quando se discute este assunto - e é inegável. O facto de elas não terem sistema nervoso central, torna-as menos merecedoras de consideração? Não! Efectivamente, se existem seres que eu devo respeitar e estimar, são as plantas: a sua pureza é inigualável e são elas que produzem nada menos que o oxigénio de que nós, animais, precisamos para viver.

Restou-me reconhecer que era "tapar o sol com a peneira"... Enquanto animal que sou, tenho de me alimentar - é a lei da natureza. Também reconheci que tenho dois pares de dentes caninos dentro da boca, como é próprio dos predadores. E também sei que foi o consumo de proteínas animais que permitiu aos primeiros hominídeos desenvolverem um cérebro mais complexo (fenómeno esse que fez de nós a espécie mais espatafúrdia de toda a criação, mas isso já é outro assunto). Segue-se que respeitar a natureza e a vida, não passa por negar o estado das coisas - suportar a própria vida com o sacrifício de outros seres viventes é a nossa condição.

Assim sendo, desisti do vegetarianismo e adoptei um outro sistema que me pareceu mais lógico. Como carne e peixe de um modo que considero equilibrado - uma ou duas vezes por semana - e desaprovo a forma desmesurada com que, actualmente, se faz criação de animais para abate e se consome os seus produtos. Este consumo desenfreado é o outro extremo - outro absurdo...

No tempo em que os Homo sapiens ainda viviam com a Terra, caçava-se um animal (ou, mais tarde, abatia-se um animal criado para isso) e toda a família se alimentava dele por um longo período de tempo. Todas as partes do animal eram aproveitadas, desde a carne, às vísceras, aos ossos, dentes, unhas, pele ou penas - não havia desperdício. Habitualmente, o acto da caça (ou da matança) era ocasião para rituais, celebrações e outras formas de prestar homenagem à vida (à nossa sobrevivência) e ao animal que era sacrificado - da mesma forma que também se faziam rituais, oferendas, etc. pelas colheitas. Na origem, ainda não se tinha perdido a noção das coisas - o sacrifício de uma vida não era tomado de ânimo leve, de tal modo que muitas das antigas divindades eram zoomórficas, pois existia a sabedoria da Terra e os animais, bem como todos os seres, eram devidamente respeitados.

Hoje tudo é facilidade e desperdício, tudo tem um preço e as economias de mercado parecem permitir todos os atropelos. Infelizmente não posso impedir que o dinheiro mova o mundo e também não posso jogar com as cartas que gostaria de ter - apenas com as que tenho nas mãos. Não posso impedir que se continuem a criar animais e a abatê-los industrialmente para alimentar uma população humana excessivamente densa e ávida de luxos, sacrificando o meio-ambiente, as outras espécies e a própria saúde. A dada altura da minha vida cheguei a servir às mesas e, o que mais me impressionou nessa experiência foi constatar a quantidade imensa de comida que fica nos pratos e que vai para o lixo... Por vezes, ainda ouvimos as mães falar às crianças dos "pobrezinhos que não têm o que comer" sem que ninguém se aperceba que é igualmente grave o facto de termos pactuado na morte de um ser e essa morte ter sido em vão. 

Pegando, finalmente, nas peças de artesanato feitas em pele e que deram o mote a este post... Elas são feitas a partir de pele de vaca - das mesmas vacas que, raramente, fazem parte da minha dieta. Têm sido o resultado da reciclagem de umas velhas calças de motard que me foram oferecidas por uma amiga. Curiosamente, já são uma reciclagem em segundo grau pois a minha amiga recebeu-as de alguém que as ia deitar fora. Apesar de não lhe servirem, ficou com elas por pena do desperdício e mais tarde lembrou-se de mas trazer para que eu as transformasse em algo útil.

Desde então tenho desenhado peças maiores e mais pequenas, de modo a aproveitar ao máximo o material e sem nunca me esquecer de quão especial ele é... da mesma forma que faço questão de nunca deixar restos no prato à hora da refeição. 

Posto isto, penso que se torna claro que não incentivo o "uso de peles" mas sim o total aproveitamento dos recursos que a nossa espécie retira do planeta. Se dependesse de mim, essa extracção seria muito mais regrada mas... como não posso agir em nome da Humanidade faço pelo menos a minha parte e incentivo seriamente a que toda a gente faça o mesmo, a saber:

- Reduzir o consumo de produtos animais
- Reduzir substancialmente a produção de lixo orgânico
- Reduzir o consumo de água e apoveitar, sempre que possível, a água da chuva
- Reutilizar e reciclar por si mesmo todos os materiais possíveis
- Depositar nos ecopontos todos os recicláveis que não possam ser transformados em casa
- Ter plantas (sabiam que apenas 1 vaso renova o oxigénio de uma sala de 15m2 num dia?)
- Limitar o uso de produtos químicos
- Dar preferência a produtos biodegradáveis
- Dar preferência a produtos feitos a partir de reciclagem
- Aprender a cozinhar, a costurar e a cultivar

segunda-feira, 2 de março de 2009

Cristal da Semana - Turquesa


A turquesa é uma pedra preciosa usada desde a Antiguidade. O seu nome significa “pedra turca”, não por ser originária da Turquia mas porque foram os turcos que a introduziram na Europa e a popularizaram como pedra da sorte. A sua fama como amuleto remonta à antiga Pérsia e ao Egipto onde já desde a Primeira Dinastia era considerada um bem valioso e símbolo de poder. Também era conhecida e apreciada na China, Tibete e na América pré-colombiana. Todas as culturas que, ao longo dos tempos, tiveram contacto com a turquesa, adoptaram-na como talismã, usaram-na nos seus rituais e obras de arte, bem como como oferenda de especial valor.

Pela sua cor é associada ao chakra laríngeo, podendo ajudar dissolver bloqueios de expressão e inibições auto-impostas. É uma pedra que promove a calma interior e a clareza de pensamento. Em meditação pode ser usada sobre o chakra frontal, ajudando a limpar a mente e a apurar a intuição.

Como quase todos os cristais utilizados em terapia, também a turquesa é um excelente foco de energia ambiente. Algumas das suas aplicações práticas:

- neutraliza o smog elecromagnético
- purifica ambientes "carregados"
- combate a exaustão física e mental

Ao nível psicológico:

- actua positivamente em estados depressivos
- combate ataques de pânico e fobias
- promove o pensamento criativo

Em Magia continua a ser usada, como no passado, para protecção de pessoas e bens, como "pedra da sorte" e contra o "mau-olhado". Outra das suas associações mais comuns é com o poder e com as riquezas materiais, pelo que também é usada como ingrediente de poções, em rituais ou para o fabrico de amuletos destinados a atrair a fortuna.

Cuidados e métodos de limpeza

A turquesa tem uma dureza de 5 - 6 (numa escala de 10), portanto é mais branda do que os quartzos. Nunca deve ser colocada de molho, sob pena de descolorar e tornar-se baça. O melhor método de limpeza é a visualização ou a fumigação. Pode ainda ser purificada sobre uma drusa de quartzo.

Pendente executado em couro com aplicação de turquesa rolada - 5,00 E

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Cristal da Semana - Quartzo hialino

Lembrei-me de fazer alguns pendentes com cristais. Comecei a desenhá-los e, ao fazê-lo, pensei que seria interessante falar um pouco sobre as propriedades e aplicações das pedras. Assim sendo e começando a partir de hoje, todas as Segundas-feiras irei apresentar aqui um cristal, bem como a peça que elaborei com ele.

Quartzo hialino


Este é o cristal número 1, também conhecido com "quartzo cristal", "cristal de rocha" e "quartzo incolor". As pedras do grupo dos quartzos são as melhores para usar em cristaloterapia e esta variedade, em particular, é a mais versátil. A sua cor branca-transparente contém todas as outras cores do espectro e pode sintonizar-se com qualquer nível de vibração energética. Esta particularidade faz dele o cristal mais utilizado.

O quartzo hialino é tido como mágico e utilizado em curas e rituais desde tempos remotos. Desde cedo, a sua beleza e a sua energia despertaram o interesse dos Homens, levando-os a utlizarem os cristais como amuletos, talismãs e na elaboração de objectos especiais. Os Gregos diziam que era gelo sagrado, congelado eternamente pelos deuses e usavam-no tanto terapeuticamente como para a elaboração de esculturas e peças de joalharia. Também foi muito apreciado nas culturas orientais, por budistas e brâmanes. Na aurora da Cristandade, foi visto como símbolo da fé, da castidade e inocência. Mais tarde, durante a Idade Média e Renascimento foi adoptado como material preferencial para a elaboração das bolas de cristal e espelhos mágicos. 

É uma pedra associada ao chakra da coroa, podendo ser usado em meditação, para facilitar a abertura da consciência e promover o pensamento reflexivo/lógico. A sua clareza tem uma afinidade muito especial com o plano mental e, por consequência disso, com os signos de Ar - Aquário, Gémeos e Balança. 

Algumas das propriedades do quartzo hialino:

- é um reconstituinte celular
- reforça o sistema imunitário
- ajuda o organismo a libertar-se de impurezas, seja pelos rins, sistema digestivo, sudação ou febre
- limpa e energiza pessoas, animais, plantas e ambientes
- protege contra as radiações nocivas dos aparelhos eléctricos (telemóveis, televisões, computadores, etc...)

Ao nível psicológico e espiritual serve especialmente para:

- facilitar os estados meditativos
- equilibrar pensamentos e sentimentos
- acalmar a mente
- promover a abertura do pensamento aos níveis de realidade superiores

Em práticas energéticas (vulgarmente conhecidas como Magia):

- é a melhor variedade de cristal para programação
- energiza e equilibra os corpos astrais 
- serve como ferramenta de manipulação, seja para direccionar, acumular ou dissipar energia

Cuidados e métodos de limpeza 

Os quartzos têm dureza 7 (numa escala de 1 a 10), ou seja, são consideravelmente duros e resistentes. Por essa mesma razão, são susceptíveis a quebrarem-se se estiverem em contacto com outras superfícies duras ou se caírem ao chão. As pedras roladas são mais resistentes e podem ser guardadas no saquinho, em conjunto com outras pedras roladas mas os cristais em bruto ou lapidados devem ser manuseados com cuidado e guardados em separado. Quanto a métodos de limpeza, podem ser colocados sob água corrente e depois ao sol, podem ser purificados com incenso, através de visualização ou, da forma mais divulgada, dentro de água com sal. 

A propósito da água com sal, devo dizer o seguinte... apesar de os quartzos o suportarem, existem muitas outras pedras que não suportam. Nem sempre se conhece exactamente o cristal que se tem nas mãos e é muito fácil ter um acidente devido a este método de limpeza. Por esta razão, recomendo que, por norma, se utilizem outros meios. 

Pendente executado em couro com aplicação de quartzo hialino rolado - 5,00 E

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Novas Categorias!!!

Resolvi desenterrar alguns "fósseis", nomeadamente o meu trabalho de pintura e desenho. É verdade que há bastante tempo não pego nos pincéis mas não quis deixar de colocar aqui também essa parte de mim.

Assim sendo, existem quatro novas categorias:


Espero que gostem e que comentem bastante :)! 

Entretanto, avizinham-se algumas novidades em matéria de incensos e objectos mágicos, bem como algum artesanato com materiais reciclados - porque o lixo urbano continua sempre presente e há que transformá-lo!

De resto, desejo-vos um feliz Dia dos Namorados, inspirem-se, comam, bebam, namorem e deixem-se envolver na substância primordial que tudo une. 

"Somos Pó de Estrelas"
Carl Sagan

Beijos e Abraços a Todos ***** 

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pensando no Dia dos Namorados...

O dia 14 de Fevereiro, conhecido como de S. Valentim, é uma antiquíssima celebração que data de tempos remotos, muito anteriores ao Cristianismo. São festejos relacionados com a fertilidade e o ressurgimento da vida, aos quais o Ser Humano primitivo prestava homenagem e com com os quais procurava sintonizar-se. Esta data marcava, segundo o folclore, o início da época de acasalamento das aves... e não só.


Na Roma Antiga era o dia de honrar Juno, a grande Deusa-Mãe, protectora da família. Na noite de passagem de 14 para 15 de Fevereiro, celebrava-se a Lupercalia, a festa de Lupercus - o grande Pã, divindade primordial que rege as florestas, os animais, os rebanhos, a procriação e toda a Natureza em geral. 

Os festejos eram feitos de acordo com a energia vigente, com muita comida, bebida, música e paixão. Ainda se conhecem alguns rituais que eram praticados por esta altura, por exemplo, as raparigas participavam de um sorteio, no qual retiravam de uma caixa o nome de um rapaz que seria o seu par durante as celebrações. Às vezes, acontecia que acabavam por ficar juntos durante todo o ano seguinte. Outra tradição romana mandava que os rapazes fizessem o sacrifício ritual de uma cabra no santuário de Lupercus, localizado numa pequena gruta sob o Monte Palatino onde, segundo o mito, Rómulo e Remo tinham sido criados pela Loba. Após o sacrifício, o animal era esfolado e a sua pele vestida pelos participantes que, assim preparados, corriam pelas ruas, perseguindo as raparigas, metendo-se com elas e batendo-lhes com pequenos ramos. Este ritual era destinado a estimular a fertilidade. Curiosamente e apesar de já não ser em nome de Lupercus, esta e outras tradições são mantidas até hoje em terras portuguesas, nas aldeias do Norte do país e também no Alentejo, entre Fevereiro e Março.

Resta a pergunta... mas afinal quem era o Valentim? 


Surgem várias respostas, sendo que todas elas mantém algumas notas em comum...

Uma das histórias reza que Valentim era um padre cristão contemporâneo do imperador Cláudio II. Este imperador romano queria constituir um grande exército, no entanto, confrontava-se com o facto de os homens casados serem dispensados do serviço militar. Assim, decidiu proibir os casamentos aos jovens, de modo a conseguir homens suficientes para o seu propósito. Valentim, aparentemente, desobedeceu ao decreto imperial e, pior ainda, foi apanhado em flagrante. Foi preso, torturado e finalmente decapitado em 14 de Fevereiro de 269 d.C.. Outra história diz que Valentim era bispo de Terni e que foi preso, não só por celebrar casamentos ilegais, mas também por ajudar os cristãos numa altura em que estes ainda eram bastante perseguidos. Certa tradição popular conta que, durante a sua estadia nos calabouços, Valentim apaixonou-se pela filha do carcereiro, tendo-lhe escrito vários bilhetes. Existiu ainda um outro Velentim que foi mártir em África...

Importa dizer que, na época, Valentim era um dos nomes mais comuns e que a falta de registos, bem como a imaginação popular, turvaram os factos reais acerca deste personagem. O certo é que o papa Júlio I (337 - 352 d.C.) ergueu uma basílica na Via Flaminia onde, segundo a lenda, Valentim tinha sido decapitado. Mais tarde, o papa Gelásio I (492–496 d.C.) declarou que as celebrações de 14 de Fevereiro deveriam deixar de ser feitas em honra de Lupercus, passando a ser o dia de S. Valentim, mártir da Igreja. Esta alteração permitiu que o Cristianismo absorvesse a data pagã e que, com o tempo, fosse transformando os símbolos de modo a encaixarem na doutrina cristã. Todas as manifestações que pudessem evocar a sexualidade foram banidas, na esperança que a força do tempo as fizesse desaparecer do imaginário popular.

É evidente que tal não aconteceu! 


Chegando ao Renascimento, a cultura ocidental fartou-se da visão fechada e castradora da Igreja e as mentalidades começaram a mudar mais uma vez. A devoção a santos mártires entrou em declínio até que, à chegada do Iluminismo (sec. XVIII - XIX) estava completamente ultrapassada. Por fim, com a alvorada da era moderna, a data de encontrava-se despojada de significado e, em 1969, foi abandonada pela Igreja Católica, não sendo actualmente considerado um feriado religioso. 

Assim voltaram a reaparecer os símbolos e significados originais - de S. Valentim ficou apenas o nome, envolto nas milenares tradições pagãs do Amor. Por todo o mundo a data continua a evocar a sensualidade, os casais trocam bilhetes, presentes e deixam-se levar pela paixão. Algumas das antigas tradições reapareceram sob a forma de pequenos jogos de adivinhação destinados a saber o nome do par e, mesmo os antigos feitiços de amor entraram em força na cultura ocidental, sob a forma de jantares românticos com vinho e velas, doces, perfumes inebriantes e lingerie sedutora.

Com a benção de Cupido, é este o Dia dos Namorados!

Que a Vida surja da noite invernal
Que invada o mundo
Despindo-o de tudo que é velho
Exaltemos a chegada do Sol
Das cores à sagrada Terra
Bem como às nossas faces!

Das cinzas nasce a Fénix
Banhemo-nos na sua glória
Cantemos com os nossos irmãos
Pelas florestas e pelos campos
Bebamos do néctar dos deuses
E sejamos unos com o Cosmos!